Somos eu, minha mulher e um menino no balcão. Quantas cadeiras é isso?
Quando eu falo em desenhar as áreas da empresa, a resposta mais comum é essa. Somos três. Quadro pra quê.
Você tem razão de achar estranho.
Quadro virou sinônimo de empresa grande com sala de reunião e organograma na parede. Se eu te mostrasse um manual de gestão de trezentas páginas pra um negócio de três pessoas, você fecharia a aba. E faria bem.
Só que o quadro não conta gente
Ele conta função. E as funções existem no seu negócio hoje, com três pessoas ou com trinta.
- Alguém decide o preço.
- Alguém compra e olha o estoque.
- Alguém responde quem chega perguntando.
- Alguém cobra quem não pagou.
- Alguém resolve quando o pedido sai errado.
Se todas essas são você, o negócio não tem três cadeiras. Tem treze, e uma pessoa sentada em quase todas.
A parte contraintuitiva
Quanto menor o negócio, mais rápido o desenho fica pronto. Não é consolo. É aritmética: menos gente, menos combinado tácito pra desenterrar.
Empresa de trinta pessoas leva meses pra escrever quem faz o quê, porque metade do que está escrito já não é mais verdade. A sua você desenha numa tarde.
O extremo oposto, pra você ver a régua
treze áreas, mais de cem posições, mais da metade vazia
(o organograma da minha própria empresa, medido em 19/08/2026)
Cadeira vazia aqui fica escrita como vazia, com o motivo do lado. Não é bonito. É o que permite saber qual preencher primeiro.
O que fazer hoje, se você tem cinco minutos
Pega um papel. Escreve as coisas que aconteceram no negócio esta semana. Não quem fez: o que foi feito.
Depois circula as que só acontecem se você estiver lá. Aquilo é o seu quadro, e ele já existia antes de você desenhar.